INCONTINÊNCIA FECAL

A incontinência anal é uma condição de etiopatogenia e mecanismos complexos envolvidos. Sua incidência exata na população é ainda desconhecida, porém estima-se que esteja entre 0,1 a 5% dos indivíduos. A incontinência pode ser definida  como a perda do controle esfincteriano ou como a inabilidade de se postergar uma evacuação em situações em que socialmente não estamos em condições adequadas para tal, resultando na perda inesperada de gás, fezes líquidas ou sólidas, em indivíduos acima de 4 anos.

A incontinência anal é infelizmente um problema social e médico com grande impacto socioeconômico: representa na América a segunda causa de hospitalização de idosos em asilos e casas para idosos, com uma despesa de mais de R$400 mil em fraldas e absorventes geriátricos!

O mecanismo complexo da continência anal depende da ação integrada da musculatura esfincteriana anal e dos músculos do assoalho pélvico, da presença do reflexo inibitório reto-anal, da capacidade, sensibilidade e complacência retal, da consistência das fezes e, finalmente, do tempo de trânsito intestinal. Assim é que, em condições ou patologias que alterem qualquer um desses mecanismos, tais como, diarréias, diabetes, doenças autoimunes, síndrome do cólon irritável, doenças inflamatórias intestinais, proctite de radiação, podem gerar incontinência. As causas traumáticas são as mais comuns, entre elas a lesão obstétrica constitui um fator importante entre as mulheres.

Paralelamente à história clínica, existem hoje de uma série de métodos diagnósticos anorretais que vêm auxiliando o melhor entendimento desta condição. Entre estes, destacamos a manometria anorretal, a ultra-sonografia do canal anal e, em algumas situações especiais, o tempo de latência dos nervos pudendos. A manometria anorretal constitui o “carro-chefe” dos laboratórios de fisiologia anorretal e é um método importante na avaliação da incontinência hoje, pois, além de permitir uma mensuração das pressões esfincterianas de repouso e das contrações voluntárias, pode fornecer informações sobre a presença de fadiga muscular e índice de assimetria esfincteriana.

Entre as medidas conservadoras, o tratamento inicia-se com uma reeducação alimentar, com o objetivo de se alterar a consistência das fezes, através dos agentes formadores do bolo fecal. A correção das diarréias é também etapa fundamental no manejo conservador do paciente incontinente. Associado às medidas clínicas, encaminha-se também os pacientes para a fisioterapia onde realiza-se biofeedback anal e eletroestimulação anal, tratamentos estes que podem ser feitos de forma simultânea, aumentando a chance do sucesso. Pacientes tratados através de um mínimo de três sessões, obtém um resultado satisfatório em cerca de70% dos casos.

Também há uso de medicamentos como agentes constipantes e em casos mais severos, em que as medidas conservadoras não obtiveram sucesso, existe hoje uma série de técnicas cirúrgicas e não cirúrgicas, porém invasivas, como a injeção de agentes de preenchimento, a radio frequência e a neuromodulação.

 

 

Desenvolvemos

Tratamento neurológico infantil e adulto, estimulação sensório motora para bebês prematuros e crianças especiais, através do método bobath e equipamentos de ultima geração de estimulação motora.